A poeira das coisas

Tantas vezes me relacionei com pessoas invisíveis, inexistentes. Criei várias delas e não soube lidar depois. É difícil não idealizar cada momento futuro, cada passo a ser dado. É terrível forçar-se a não criar expectativas sobre coisas, acontecimentos e pessoas. E nos dizem a todo o tempo que não podemos, de fato, cair nessa “armadilha”.

O fato é que fazemos tudo isso, mesmo crendo que não, mesmo com incisivos momentos de autocontrole extremo disfarçado de autoconhecimento. As situações nos exigem a força que por vezes nem existe. E tudo bem não tê-la da maneira esperada ou no tempo exigido. Pode-se construí-la ou deixar que o tempo resolva. Difícil é acreditar que isso é possível e conseguir caminhar essa trilha.

É perigoso não se olhar com honestidade. Por mais difícil e dolorido que seja, nossas fragilidades, defeitos e traumas não devem ser postos embaixo dos tapetes da vida. Complexo é na prática.

A vontade é isolar-se. Às vezes possível e saudável. Conseguir, também, ficar somente com nossa companhia, é meio caminho andado. Deixar que raiva, tristeza, mágoa, emerjam.

Lidar com seus demônios é necessário, tenha certeza. Repito isso ao espelho quase que diariamente. A formatação social padrão não me contempla faz muito tempo, seja ela qual for. E quando me vejo careta, com valores considerados ultrapassados pela minha geração, sofro novamente. Prefiro silenciar, tantas vezes, em determinados debates, por saber que não vou receber em troca o melhor tratamento. Eis mais um medo.

O problema é que silêncio torna-se sintoma. E, uma vez mais, sou forçada pelo meu psiquismo a lidar com as causas.

Cansaço social, esse fiel companheiro que volta e meia me visita e me força a limpar a poeira das coisas, situações e pessoas. Cruel, porém, com razão de existir.

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Oceano.

Há tanto para lidar. Meu corpo tem sido oceano que transborda, que invade continentes. Alertas, pedidos de ajuda que não sei decifrar. Me saltam os sintomas.

Assim também a impotência de uma existência que se reconhece frágil, mesmo com a casca de tamanha força. Como é difícil assumir vulnerabilidades, inseguranças, tristezas, desafetos…

Mais fácil é manter-se sorrindo, mesmo que pouco acima do lábio superior haja marcas explícitas de que algo não está equilibrado.

Minha pele, couro de búfalo, é o mapa de todos os dias percorridos e os que anseio atravessar. As (poucas) imagens que me territorializam dizem tanto sobre quem eu desejo ser…

A agulha que transmuta tinta em curiosidade, dor em prazer, sempre foi visitada em momentos de grande rompimento, grande dor. Grande amiga, barulhento e sensível auxílio ao transmutar fases, virar páginas, forçar mudanças de ciclo.

Percebo-me tão mais adulta (ou velha?) desde o último texto. As lágrimas que reclamam controle dos sintomas de ansiedade invadem meu peito. Parece-me que, quanto mais ganhamos idade, mais fortes são os sinais do peso irremediável da vida.

Não sei ao certo porque choro. Nunca soube. Dar nome às coisas é difícil. Tenho músicas tão minhas e tão específicas que fazem com que todo esse processo flua. Eis um de meus maiores motivos de gratidão.

Oceano, essa relva líquida que invade o que for preciso. Oceano, tão imponente, mas que sabe recolher-se quando necessário. Retrocede em seus horários de transmutação. Este mesmo elemento me faz sorrir e chorar sem que eu perceba de imediato.

Sem começo nem fim.

E eu?

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Vida dentro da vida, ainda.

As palavras fogem. A dor que toma conta da pele, do sangue, dos músculos é inenarrável. Eu, assim como tantas e tantos dos meus, busco signos, significados, substantivos, adjetivos. Há que se criar novas definições para sentimentos, emoções nossas. Conceitos que deem conta de tamanha barbárie. Não temos mais recursos suficientes no mundo das palavras. A História corre, passos largos, sem olhar para os lados. Nós, sob efeito da analgesia gerada por tantos acontecimentos, andamos em círculos. Não há espaço para esperança substancial nesse exato momento. O cansaço não deixa. Em todos os âmbitos, estamos em déficit. Saldo negativo no contexto cru que é a vida.

Essa mesma vida que me exige velocidade também ao escrever estas linhas. A pressa da rotina, o vértice infinito dos protocolos. A falta de afeto. Ou a falta de tempo para ele, já que precisamos sobreviver ao caos subjetivo e objetivo. Excesso de informações, consciências levianas, desumanização de seres humanos. Vivos ou mortos.

Caos, caos, caos. Viés apocalíptico irreversível e que nos atravessa feito bomba.

Lacrimogêneo moral e cívico.

As ideias embaralham-se, a voz falha. O choro está ali, mas é tanta coisa, tanta velocidade, desgraças, velocidade ainda, que suas gotas salgadas sequer ganham espaço para invadir nosso rosto. Sei de mim e, sabendo assim, sei também dos meus. Abraçamo-nos para tentar aliviar uma dor que parece não ter fim. Dor calada, dor instalada. Dor esta que se assemelha à do luto, à retirada de pedaços nossos, um a um. Sempre nos retiraram partes. Mas a esta velocidade? Os abraços, os pedidos de colo…nada suficientes. As palavras retomam o movimento de definição, tentativa falha. Os desabafos que não aliviam, o choro contido, o sorriso forçado, a certeza de que nada está bem. E está longe de ficar.

Há que se criar vida na vida. Caso nos seja permitido, ainda, viver. Se o choro lhe toma o rosto, uma nesga de felicidade me invade, certamente, por ti, já que aqui ele tarda em vir.

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Pertencimento e não-lugar.

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Não-pertencimento faz parte de meu cotidiano, com alguns intervalos. Intervalos estes são originalmente locais, territórios, que me deram aconchego e descanso. Daqueles lugares que parecem te pertencer desde a primeira pisada ao chão, quando do desembarque.

A cidade em que nasci há muito tempo me incomoda. Costumava dizer que não gosto dela. Até desprezo enunciei. Hoje sei que nunca foi minha. Demorei a alcançar essa conclusão. E há diferença entre não gostá-la e não sê-la. O estranhamento que tenho por estas ruas, este céu, estas pessoas, estes locais aos quais chamam “praças”, “parques”, nunca o foram, de fato, para mim. E não há grande problema nisso. Só constatação de um fato.

Tenho minhas pessoas aqui, obviamente. Ninguém sobrevive por muito tempo, sendo subjetivamente saudável, isolada de qualquer ser humano outro que nos abrace, que nos traga novidades, goles risonhos de cerveja e decepções compartilhadas. Os famosos “ah, sim, já estive aí, darling”.

Porém, pessoas movem-se. Devem mover-se. O comodismo não pode ser bom. Ou é, mas não há este reservatório com muita profundidade em mim. O limite está tão próximo e distante ao mesmo tempo!

Penso nas possibilidades de mudança e meus olhos ganham brilho automaticamente. o dado mais importante nisso tudo é sempre ter sonhado com grandes cidades. E, por óbvio, concluir que a cidade em que habito (mas não me habita) é pequena demais pra mim. Devo lidar com isso. E lido. Acreditem, lido todos os fucking dias com isso. Em todos os amanheceres, sejam eles nublados ou cheios de sol.

Mas o pouco de sabedoria que ganhei nestes 28 anos percorridos me mostra que, para chegar lá onde meus pensamentos levam, há que se percorrer a estrada. E esta, caros, é a chave do castelo. E aqui, talvez, o motivo de compartilhar tais divagações com quem me lê. Sonhe, sim. Mas imagine que para alçar esse vôo, uma trilha deve receber seus passos. Ela pode ser longa, curta, pedregosa, escorregadia, perigosa. E você só saberá suas características no momento em que atravessá-la. Nós não prestamos atenção aos processos pelos quais passamos. Por mais que tentemos. Nossas ambições e ansiedades nos levam à frente, além do suportável.

Somos construção, portanto. Construimo-nos o tempo todo. Deveríamos atentar a isto. Se desejo voar para longe, preciso preparar-me para todo o desconhecido que encontrarei. No mínimo, preciso de resistência suficiente para que eu aguente o trajeto. E é isso que me faz acordar todos os dias. Saber que o hoje é a construção de um amanhã que virá e deste lugar-outro que, então, pertencerei e me será pertencente.

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As pálpebras pesam, as lágrimas são chumbo.

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As dores de uma derrota que não é somente sua inciam um transe por todo um corpo (miseravelmente humano) que já não aguenta tanta estupidez. Em terra de cego… quem tem olho enlouquece. Os questionamentos são inevitáveis, o ódio consome, corrói as estruturas dos músculos, nervos e ossos. A impotência domina todos os neurônios e a sensação de vergonha são insuportáveis.

“Aguente firme”, dizem. O que, exatamente? A sombra tenebrosa de um histórico golpe de Estado? O peso (que já alcança as toneladas) de prosseguir (con)vivendo, na sensação iminente de conto de fadas, que logo terá finais fragmentados e trágicos? O medo de ver “ao vivo e a cores” anos de chumbo como as letras de Chico tão bem não nos deixam esquecer (nem devemos) que existiram?

Mas, ah, a impotência.

Difícil vencê-la. Difícil pensar que posso. Que podemos.

Desistir de lutar, mais do que nunca, não é opção. Mas somos tão pequenos. E tão mesquinhos. E tão ignorantes. A “grande” massa vai às ruas das principais capitais do país sem atenção do planalto central. Pressão popular já não se mostra como grande moeda. É moeda, mas não a principal. Não a que faz diferença. Quantos e quantas mais precisarão morrer para que…

…para que, afinal?

As pálpebras pesam e insistem em se manter a ‘meio mastro’, em ‘farol baixo’. Resultado de exaustivos sentimentos esperançosos de que golpes são out neste nosso século bizarro, nos altos de nosso 2016. Quem diria?

Sinto-me envergonhada de estar nesta posição impotência-sofrimento-fraqueza, sendo que a mulher pessoalmente traída é justamente quem nos pede força e demonstra tê-la de sobra. Não me sinto no direito de sofrer, mas lutar. Só que, sinceramente, difícil aumentar neste momento a amplitude de meus olhos. Sinto no peito uma dor que há tempos não sofria. Fanatismo político? Não, definitivamente. Infarto? Aí já deixo em dúvida. Tristeza, profunda e indisfarçável? Sim, essa mesma.

Por ser mulher, por acreditar na vida e história de Dilma Vana Rousseff, por vê-la como exemplo, por ter vontade de chorar como criança em seu colo de mãe-vó, estas lágrimas correm. E por mais um punhado de coisas que, talvez, não tenham relevância agora. Afinal, sou eu este mísero grão de areia em meio a muita contradição.

Que somente as lágrimas sejam de chumbo, e não a repetição do que já tivemos em nossa História, de mesmo ‘peso’ e medida.

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“Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” (ou: volta, Belchior).

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Há decisões nessa vida que deveríamos cumprir, ao menos em uma porcentagem. Qual a dificuldade em mantermos palavras, deliberações que, por mais contraventoras ou controversas, são para nossa sobrevivência? As horas desta nossa geração escorrem pelas mãos e nos atravessam sem pedir licença alguma. Corremos por uma estrada pelo simples prazer (e necessidade, dizem) em correr. Correr e sempre mais.

Com pressa e sempre mais.

Sem oxigênio e sempre menos.

Sem coração e sempre.

Conviver com a expressão “moral e bons costumes” é de nausear qualquer ser humano que seja humano. Julgamentos diversos sobre quaisquer condutas tomadas por qualquer humano tornam minha existência mais pesada. Conviver em sociedade (ou ter de) me faz pensar o quanto somos canibais da subjetividade alheia. É o inferno em sua plenitude, sendo os carrascos pintados em contos bíblicos, bem da verdade, nós mesmos. E ponto.

Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro.

Morri com cada passo em falso que dei no sentido ao colo do outro. Não sabia dizê-lo vazio, até destroçar minha cara ao chão.

Morri a cada exercício de fanatismo, característica humana esta que percorre todos os hábitos e rituais humanos. Foi como se um membro meu fosse arrancado do corpo a cada cena desta categoria. E, a saber: dos mais exacerbados até os mais sutis. Estes últimos quase não detectáveis aos olhos e ouvidos nossos.

Morri a cada ato de egoísmo. A cada ausência de mãos estendidas para levantar outro ser vivo de sua queda ao chão (subjetiva ou não).

Morri a cada ausência de humildade em espaços onde ela é mote contínuo para que algo funcione.

Morri a cada olhar invejoso sobre qualquer, repito, qualquer acontecimento em uma vida outra. E que está aí para ser vivida, afinal.

Morri por ter praticado um pouco (ou muito) de cada item desta lista.

Mas esse ano eu não morro.

Morri pelas pessoas conhecerem somente uma parte deste eu que vos fala. E, principalmente: a parcela a que dou menos importância dessa subjetividade. E isto, amigos, é passível de morte.

Essa mania em estabelecer padrões para a vida em coletivo tem o talento de ocasionar a perda de um “eu” que é extremamente importante. A sensação de perder-se de si é um dos sinais dessa patologia que somos nós, humanos. O respeito ao “ser” do outro é raríssimo.

Neste novo-ano-novo não morramos. Não assim. Que cometamos erros outros, erros novos, não os mesmos de 1800 d.C.

Ano passado eu morri.

Mas esse ano eu não hei de morrer.

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Quando um historiador me possibilitou insights (ou: da adicção que é o FB).

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Tenho muitos vícios. De linguagem, organização, os que permeiam os pragmatismos para que eu consiga seguir vivendo. Meu funcionamento obsessivo começou a ficar fora do meu espaço de percepção e reconhecimento nas últimas semanas. Estranhei, ao retornar de uma maravilhosa viagem de visita a amigos e amigas que, enquanto com eles estava, a vida parecia plena em sua beleza. E, assim que retornei à vida que nunca deixou de me esperar, no território onde realizo minhas intervenções mais cotidianas e imediatas, uma tristeza assolou toda minha subjetividade. O desespero imediato foi: não havia nome ou razão explícita para este “estado” em que me percebi. Permiti que a tristeza tomasse mais espaço na tentativa de, assim, dando voz a ela, encontrar sua razão de existir.

Comparei-me fora e dentro do meu contexto: o que havia mudado de um fim de semana, para a segunda imediatamente em sequência? Eu não havia acessado uma vez sequer o facebook. Mas ainda com esta dica maravilhosa, nada encontrei. Até que, numa das noites que se seguiram, os insights iniciaram seu lindo movimento e as coisas ficavam cada vez mais clarificadas e óbvias. Vou contá-las a vocês de maneira objetiva. Tão objetiva que elencarei em tópicos, para que fique mais palpável. Refletindo sobre o que mudou em mim após a chegada desta rede social, em todos estes anos de uso assíduo, uma enxurrada de elementos me atravessaram instantaneamente. São eles:

  • Tornei-me preguiçosa além do aceitável. Comecei um movimento de ler manchetes sem necessariamente abri-las em uma nova página.
  • Passei a deixar as notícias, de todas as esferas, me afetarem em demasiado, sofrendo a cada novidade relacionada ao cenário político nacional, internacional, às questões de violências diversas, enfim, tudo.
  • Passei a ver a felicidade das pessoas expostas nesta vitrine como motivo de percepção do meu fracasso enquanto ser humano, afinal, eu não fazia sequer metade do que as mais bem-sucedidas que eu fazem (isso seria minha neurose falando, aos berros. Se é verdadeiro ou não este ‘fracasso’, já não tenho certeza).
  • Como consequência dessa afetação das vitrines alheias, comprei minha própria vitrine e entrei no mesmo fluxo. Todo e qualquer motivo de minha felicidade passou a ser compartilhada (até porque, dada a “concorrência”, não havia muitos motivos para contentamentos). Uma nova flor que se abria no jardim: fb. Uma receita nova: fb. Um novo local de atuação profissional: fb. Até minhas pretensões passaram a ser expostas ali.

Como consequência imediata, estranhei, ao encontrar amigos em outra cidade, não haver muito o que contar, sequer elementos que eles quisessem saber sobre mim. Por quê? Eles já acompanhavam os incessantes e cansativos processos pelos quais eu atravessava e era atravessada – via fb. E não é óbvio?

Não para mim e, tenho certeza, também não o é a muitos. Eu sequer cogitava esse excesso de vida virtual, como uma extensão do meu corpo orgânico e subjetivo. Hoje percebo e sigo na tentativa de, por meio das possíveis abstinências, crescer e voltar a me singularizar, independentemente e alheia a esta rede social. Dentre os elementos que percebi serem motivos causadores de tamanho desconforto e que transformou minha vida em um só tom de um gigantesco cinza, estão:

  • Toda e qualquer atividade que é realizada em plataformas como Google transforma-se em anúncios na sua timeline, no fb. Isso é insuportável.
  • As notícias chegavam aos meus olhos e subjetividade em um ritmo aceleradamente incontrolável. Mesmo das páginas que, obviamente, eu escolhi seguir. Muitas delas com os mesmos tópicos de notícias entre si.
  • Toda e qualquer afirmação preconceituosa, polêmica ou ignorante, por parte de pessoas que estão contidas na minha TL, gerava angústia inenarrável de minha parte, com mãos e pés atados para qualquer providência que quisesse tomar.
  • As páginas que sigo e que têm site próprio, para além do domínio facebookiano pararam de ser, por mim, acessadas. Afinal, tudo que elas noticiariam estaria ali em instantes.
  • A felicidade exposta pelas pessoas passaram a ter tom de ilegitimidade e o tom estrito de necessidade de auto afirmação.

Todos estes pontos elencados vieram à tona de maneira concreta após assistir uma passagem do historiador Leandro Karnal sobre a felicidade postada e vendida em redes sociais como, de fato, uma droga que exige de seu usuário sempre uma dose maior (vídeo abaixo). Parecem constatações óbvias e que todos e todas já temos consciência no “contrato inicial” deste uso, como consumidores que somos. Porém, a  mim, não parecia tão grave, sério e com consequências alarmantes neste ponto. Sempre selecionei muito bem quem ‘seguir’, que páginas acessar, que pessoas acompanhar. Mas acabei provando de meu próprio veneno: engajamentos, sofrimentos, percepções sobre o mundo e a vida, todos reunidos em uma só página, com atualizações constantes. E todos motivos de extrema empatia e identificação minhas. Sim, pode parecer motivo de saúde mental, já que foi a maneira que escolhi de arquitetar o que eu gostaria ou não de visualizar. Mas não, em grande medida só proporcionou maior dor, maior sofrimento, maior impotência, maior pessimismo em relação ao estado das coisas.

Eu quero acessar matérias nos momentos em que me dispor a isto. Voltar a acessar páginas nas quais confio, sem maior ou menor pressa, somente no meu tempo. MEU TEMPO. A avalanche de informações não me cabe mais. É sofrimento em demasia e que acaba por esgotar todas as minhas forças antes mesmo de o combate ter início. Sei que estas mesmas pessoas de quem compartilho angústias, posicionamentos políticos, dentre tantos outros, estarão ombro a ombro comigo nas batalhas que virão. Porém, virtualidade não faz revolução, nunca fez. As desconstruções que fazemos nestes espaços são pueris, frágeis. Hoje, olhando para essa página azul marota, percebo sua única função de manter contato com pessoas que me são importantes e que não estão imediatamente ao alcance de meus braços, e é confortável pensar que lá estarão, para uma conversa inbox. Espero ainda me desvincular desta percepção mas, enquanto ela me serve, que seja. Senti-me no dever de compartilhar destas percepções a quem quiser acessá-las. Talvez, a partir deste meu processo de tomada de determinadas consciências, mais pessoas o façam, antes que seja ‘tarde’. Não desejo a ninguém o estado em que me percebi, justamente pelo uso acumulado e excessivo do fb.

Hoje já consigo ver com olhos outros tudo que circunda minha vida, ficar feliz com a forma como ela se compõe e vem se construindo. Consigo o início de uma desvinculação dessa “Sociedade do Espetáculo”, como nos traz o pensador Guy Debord (livro este que super recomendo). Sinto-me tão feliz comigo e com mais esse passo que dei! Tomadas de consciência são essenciais para que prossigamos crescendo. E, talvez, meios como fb estejam nos impedindo de sermos o máximo de nossa potência na prática, no corpo a corpo. Pense sobre isso tudo. Desejo a vocês o uso moderado e saudável desse site. Com todo coração. Ver as coisas com mais cores, as ruas com mais vida, as pessoas como elas realmente são é inenarrável. Recomendo.

Fiquem, pra finalizar, com a sabedoria desse mestre dos magos do hoje:

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