As pálpebras pesam, as lágrimas são chumbo.

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As dores de uma derrota que não é somente sua inciam um transe por todo um corpo (miseravelmente humano) que já não aguenta tanta estupidez. Em terra de cego… quem tem olho enlouquece. Os questionamentos são inevitáveis, o ódio consome, corrói as estruturas dos músculos, nervos e ossos. A impotência domina todos os neurônios e a sensação de vergonha são insuportáveis.

“Aguente firme”, dizem. O que, exatamente? A sombra tenebrosa de um histórico golpe de Estado? O peso (que já alcança as toneladas) de prosseguir (con)vivendo, na sensação iminente de conto de fadas, que logo terá finais fragmentados e trágicos? O medo de ver “ao vivo e a cores” anos de chumbo como as letras de Chico tão bem não nos deixam esquecer (nem devemos) que existiram?

Mas, ah, a impotência.

Difícil vencê-la. Difícil pensar que posso. Que podemos.

Desistir de lutar, mais do que nunca, não é opção. Mas somos tão pequenos. E tão mesquinhos. E tão ignorantes. A “grande” massa vai às ruas das principais capitais do país sem atenção do planalto central. Pressão popular já não se mostra como grande moeda. É moeda, mas não a principal. Não a que faz diferença. Quantos e quantas mais precisarão morrer para que…

…para que, afinal?

As pálpebras pesam e insistem em se manter a ‘meio mastro’, em ‘farol baixo’. Resultado de exaustivos sentimentos esperançosos de que golpes são out neste nosso século bizarro, nos altos de nosso 2016. Quem diria?

Sinto-me envergonhada de estar nesta posição impotência-sofrimento-fraqueza, sendo que a mulher pessoalmente traída é justamente quem nos pede força e demonstra tê-la de sobra. Não me sinto no direito de sofrer, mas lutar. Só que, sinceramente, difícil aumentar neste momento a amplitude de meus olhos. Sinto no peito uma dor que há tempos não sofria. Fanatismo político? Não, definitivamente. Infarto? Aí já deixo em dúvida. Tristeza, profunda e indisfarçável? Sim, essa mesma.

Por ser mulher, por acreditar na vida e história de Dilma Vana Rousseff, por vê-la como exemplo, por ter vontade de chorar como criança em seu colo de mãe-vó, estas lágrimas correm. E por mais um punhado de coisas que, talvez, não tenham relevância agora. Afinal, sou eu este mísero grão de areia em meio a muita contradição.

Que somente as lágrimas sejam de chumbo, e não a repetição do que já tivemos em nossa História, de mesmo ‘peso’ e medida.

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